Você é mal humorado(a) ???
Você já reparou ultimamente como as pessoas estão mal-humoradas?
Desde quando você não recebe um bom-dia daqueles, com entusiasmo... Aquele em que a pessoa enche a boca e diz:
- Bom-dia!
Faz tempo, hein...
E você? Desde quando você não solta um sonoro bom-dia?
Faz tempo também, né?
Faça um teste e observe quanta gente no seu local de trabalho já chega com a cara amarrada.
O que tem de carrancudo bufando logo pela manhã é inacreditável...
O dia nem começou direito e o indivíduo já está praguejando, reclamando disso e daquilo.
Muitos não dão a chance de sequer um cumprimento.
- Bom-dia? Bom-dia por quê?!
Encontrar alguém logo pela manhã com expressão de pitbull pode ser arriscado.
Um simples "OI" pode ser a deixa para o estressado soltar os cachorros em cima de você.
O estranho é que muitos desses mal-humorados matinais não são antipáticos ao longo do dia.
Ao contrário, a maioria pode ser vista exibindo largos sorrisos no decorrer do expediente.
Mas por que afinal, o mau humor impera durante a manhã?
Isso tem uma explicação lógica e é fácil saber o motivo.
Tem muita gente em São Paulo que vai dormir com água na torneira e quando acorda não encontra nem uma gota.
Sabe lá o que é acordar e não poder tomar banho para ir ao trabalho?
O pior é o cabelo da gente. Como arrumar o cabelo sem água?
O homem ainda pode disfarçar passando um gelzinho. E a mulher?
Se na sua casa tem água, ótimo. Você acorda, toma banho, café e, quando põe o carro na rua, pronto, cai no trânsito.
Aí é aquilo de sempre. Um mais apressado do que o outro.
Parece que todo mundo sai de casa atrasado numa luta contra o relógio de ponto da empresa.
É incrível, mas ninguém dá passagem para ninguém.
Quando você está numa rua transversal e quer entrar numa avenida movimentada é um sacrifício.
O carro de trás cola no da frente para que você não dê aquela embicadinha, como quem diz: "ó, eu vou entrar, tá?"
Que nada, o cara fica a milímetros do pára-choque do carro da frente e ainda faz cara de mau.
Nem adianta dar aquele toque na buzina e estender o polegar, como se fosse amigo do cara.
O motorista oponente te ignora e você fica lá, com um pé no acelerador e outro na fricção, só esperando uma brechinha.
O pior é que, quando você consegue entrar, o motorista que vacilou ainda te xinga.
Bom, aí vem o primeiro farol.
Se o motoboy não arrancar teu retrovisor, aparece um sujeito correndo no meio dos carros e pendura um comestível qualquer.
O mais inacreditável é que, em alguns casos, você nem consegue abaixar o vidro para pegar a bugiganga.
O sujeito volta correndo e recolhe a tranqueira sem olhar na tua cara - você também mal vê a dele. É um susto atrás do outro.
Quando o trânsito pára no congestionamento e você tenta espairecer contemplando a cidade, aí bate uma depressão profunda.
Pontes, viadutos, fachadas, marquises, placas de trânsito - tudo pichado.
É um cenário desolador. Como manter o humor diante daqueles garranchos?
O verde da cidade é cada vez mais raro e, quando surge um projeto de revitalização, como o da avenida Rebouças, a coisa não vinga.
As plantinhas do canteiro central da Rebouças, coitadinhas, duraram uma semana.
Em meio à poluição, passagem de pedestres e falta de quem as regue, estão moribundas no meio do trânsito.
No trajeto ao trabalho ainda existem obras, buracos no asfalto e a trágica miséria social que nenhuma "película protetora" consegue esconder.
A cada esquina tem um artista mambembe, engolindo tochas de fogo, fazendo malabarismo com bastões, bolas, tem até mágico sob monociclo...
E assim é a manhã do paulistano, um desafio diário ao bom humor.
Mas quando você pensa que tudo acabou e vai finalmente chegar ao trabalho eis que surge bem na frente do seu carro:
Uma Brasília, daquelas bem velhas, carcomida pela ferrugem, ano 75, marrom.
E adivinhe ... ela pifa e você não consegue sair de trás porque ninguém dá passagem pela outra faixa.
No vidro traseiro da Brasília, mil adesivos se espremem um ao lado do outro.
E não tem como escapar, você acaba lendo. Chega a ser irônico.
No fundo amarelo, as letras pretas perguntam: "você já sorriu hoje?"
Mas hoje você pode sorrir. Afinal de contas, hoje é sexta-feira...
Escrito por Mucas às 14h41
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